Colecionadores buscam completar o álbum da Copa 2026 em meio à febre que atinge o Rio de Janeiro.
(Imagem: gerado por IA)
A paixão nacional pelo futebol ganhou um novo capítulo com o início da comercialização do álbum da Copa do Mundo de 2026. Segundo um levantamento exclusivo baseado nos canais de venda das Americanas, que incluem lojas físicas, site e aplicativo, o estado do Rio de Janeiro consolidou-se como o maior centro de colecionadores do país neste início de jornada.
O estudo, que cruzou o volume de vendas com os dados populacionais mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que os fluminenses lideram o ranking proporcional. Com uma média de 0,261 figurinhas vendidas por habitante, o Rio superou estados com tradição de alto consumo e se posicionou à frente de Paraíba (0,240) e Distrito Federal (0,225), que completam o pódio nacional em termos de engajamento.
O fenômeno fluminense e a economia do colecionismo
O que torna o desempenho do Rio de Janeiro notável não é apenas o volume total, mas a densidade do interesse. Enquanto em números absolutos São Paulo lidera com a marca de 4,8 milhões de cromos comercializados, o estado paulista aparece apenas na 14ª posição quando o critério é a proporção por habitante (0,104). O Rio, em contrapartida, registrou 4,5 milhões de unidades vendidas para uma população significativamente menor, evidenciando uma 'febre' mais intensa em solo fluminense.
Essa alta demanda, no entanto, trouxe consigo desafios de segurança e mercado paralelo. Menos de um mês após o lançamento oficial do álbum, a Polícia Civil do Rio de Janeiro já realizou operações para desarticular a venda de cromos falsificados. As apreensões ocorreram tanto em pontos centrais da capital quanto em cidades da Baixada Fluminense, servindo como um alerta para os colecionadores que buscam completar suas coleções em mercados informais e acabam prejudicados por falsificações de baixa qualidade.
Estratégia do varejo: muito além do papel
Para o setor varejista, a Copa do Mundo é um evento que transcende as quatro linhas do campo e se torna um motor econômico crucial. A estratégia das grandes redes é integrar a venda dos cromos a uma jornada de consumo mais ampla, aproveitando o fluxo de pessoas que buscam as figurinhas para oferecer produtos complementares.
Paola Sinato, diretora comercial da Americanas, explica que o objetivo é criar uma solução completa para o torcedor. "Vemos os consumidores buscando diferentes soluções, desde a compra de snacks para os jogos até acessórios de torcida", afirma a executiva. A rede investiu em categorias como moda, apostando na tendência 'Brazilcore', e parcerias com marcas consolidadas para oferecer produtos temáticos, como chinelos e vestuário personalizado.
O comportamento do consumidor e o impacto no varejo
A inteligência de mercado aponta que o engajamento com o álbum é um prelúdio para o aumento nas vendas de outras categorias. Dados da consultoria Scanntech indicam que o varejo alimentar pode observar um salto de até 69% no ticket médio nas horas que antecedem as partidas do Mundial. Isso justifica o investimento massivo em logística e variedade de produtos nas prateleiras desde agora.
Embora a Panini, editora responsável pelo álbum oficial, tenha optado por não abrir seus dados globais de venda para este levantamento, o termômetro das grandes varejistas oferece um retrato fiel do comportamento social brasileiro. Estados como Santa Catarina e Amazonas figuram nas últimas posições do ranking proporcional, sugerindo que o ritmo de adesão ao colecionismo varia drasticamente conforme a cultura local e o acesso aos pontos de distribuição.
À medida que o torneio se aproxima e a Seleção Brasileira inicia sua jornada nas eliminatórias, a tendência é que esses números sofram novas variações. O engajamento histórico do Rio de Janeiro coloca o estado em uma posição de destaque, transformando o ato de trocar figurinhas em um fenômeno de massa que movimenta desde a economia formal até as reuniões sociais em praças e shoppings.