Universidades federais enfrentam desafios de financiamento para manter posições em rankings globais.
(Imagem: gerado por IA)
O cenário para o ensino superior brasileiro no prestigiado ranking do Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR) de 2026, divulgado nesta segunda-feira (1), revela um contraste preocupante. Enquanto o mundo avança em inovação e pesquisa, a vasta maioria das instituições brasileiras luta para manter sua relevância global. Das 52 universidades do país listadas, 45 perderam posições, o que representa um recuo em 87% das instituições avaliadas.
No entanto, em um movimento de resistência acadêmica, cinco universidades federais conseguiram desafiar a tendência de queda e registraram avanços em seus desempenhos. São elas: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Os destaques positivos em meio à crise
A subida mais expressiva foi protagonizada pela UFMS, que saltou 20 posições, saindo do 1.367º para o 1.347º lugar. Embora pareçam números modestos diante de um universo de milhares de instituições, cada posição conquistada reflete um esforço hercúleo em produtividade científica e qualidade de ensino em um contexto de restrições orçamentárias. A UnB, a mais bem colocada entre as que subiram, ganhou duas posições e agora ocupa a 831ª colocação mundial.
As outras instituições que registraram melhora também mostram resiliência regional: a UFAL avançou 15 postos (1.931º), a FURG subiu 15 posições (1.629º) e a UFU escalou 11 degraus (1.283º). Contudo, é importante notar que nenhuma dessas cinco universidades figura no "Top 10" do Brasil, que continua sendo dominado por gigantes como USP, UFRJ e Unicamp.
O declínio das gigantes nacionais
A queda generalizada não poupou nem as instituições de elite do país. A Universidade de São Paulo (USP), pilar da pesquisa científica na América Latina, caiu uma posição, fixando-se em 119º lugar. A queda foi ainda mais acentuada para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que despencou 15 posições (346º), e para a Unicamp, que recuou dez postos, ocupando agora a 379ª colocação mundial.
Este padrão de declínio não é uma novidade, mas a repetição de um ciclo. Em 2025, o levantamento já havia mostrado que 46 das 53 universidades brasileiras haviam perdido espaço. O fato de o índice de queda se manter em 87% indica que as causas do problema são estruturais e contínuas.
O que explica a perda de competitividade?
Nadim Mahassen, presidente do CWUR, foi enfático ao analisar os dados brasileiros. Segundo ele, o desempenho reflete diretamente o subfinanciamento crônico e a desvalorização sistemática da ciência e da educação nos últimos anos. Enquanto países asiáticos e europeus injetam recursos massivos em seus centros de excelência, o Brasil enfrenta dificuldades para manter laboratórios e reter talentos acadêmicos.
A competitividade internacional tornou-se uma corrida armamentista de dados, publicações e citações. Sem investimento em infraestrutura e bolsas de pesquisa, as universidades brasileiras, majoritariamente públicas, acabam perdendo fôlego diante de instituições estrangeiras muito mais bem financiadas.
Perspectivas e desdobramentos
A manutenção desse cenário coloca em risco não apenas o prestígio internacional do Brasil, mas a capacidade do país de gerar inovação tecnológica e soluções para problemas internos. A subida isolada de cinco universidades federais serve como um lembrete do potencial acadêmico nacional, mas a tendência de queda do bloco majoritário sinaliza a urgência de uma política de Estado voltada para a recuperação da soberania científica.