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Quase extinto

Animal quase extinto reaparece no litoral gaúcho e reacende alerta ambiental

09 jan 2026 - 12h47 Joice Gomes   atualizado às 12h51
Animal quase extinto reaparece no litoral gaúcho e reacende alerta ambiental Tuco-tuco-das-dunas (Imagem: Rodrigo Trespach/Instagram/@Trespachphotography)

Tuco-tuco-das-dunas, um dos roedores mais raros do Brasil, foi surpreendentemente avistado nas areias de Imbé, no litoral do Rio Grande do Sul. A espécie, exclusiva do estado e ameaçada de extinção, reapareceu no fim de dezembro, reacendendo a discussão sobre o impacto da ocupação humana nas praias gaúchas.

Registro raro nas dunas de Imbé

O avistamento aconteceu em 29 de dezembro, quando o historiador Rodrigo Trespach flagrou o pequeno animal cavando uma toca entre as dunas de Santa Terezinha. Conhecido por viver escondido sob a areia, o tuco-tuco-das-dunas (Ctenomys flamarioni) raramente é visto fora de suas galerias subterrâneas. Ele habita exclusivamente uma estreita faixa de areia que se estende da Barra do Chuí até Arroio Teixeira.

Apesar de lembrar uma marmota, o tuco-tuco é parente próximo das capivaras e dos ratões-do-banhado. Alimenta-se de gramíneas e raízes e tem papel essencial no equilíbrio ambiental das dunas.

Pressão humana ameaça sobrevivência

A presença cada vez mais rara do animal está diretamente ligada à ocupação desordenada do litoral. A urbanização, o avanço de construções irregulares e o turismo sem controle vêm destruindo o habitat do tuco-tuco. Atividades aparentemente inofensivas, como caminhar sobre as dunas com pets soltos ou instalar cadeiras e guarda-sóis nas áreas de vegetação, podem comprometer suas galerias subterrâneas.

“Qualquer alteração no solo pode destruir as tocas e colocar o animal em risco”, alerta a bióloga Luiza Flores Gasparetto, pesquisadora do Projeto Tuco-Tuco da UFRGS, que há mais de 30 anos estuda e busca preservar a espécie.

Ciência, educação e ação imediata

O Projeto Tuco-Tuco mantém ações de monitoramento ambiental e conscientização durante todo o ano, especialmente no verão, quando o movimento nas praias do Rio Grande do Sul aumenta. Placas informativas e conteúdos educativos nas redes sociais orientam visitantes sobre como proteger o habitat do animal.

Entre as recomendações principais estão o uso das passarelas de acesso para evitar o pisoteio das dunas, manter animais de estimação na coleira e descartar corretamente o lixo. “As pessoas só cuidam do que conhecem. Quando entendem que o tuco-tuco vive ali, passam a enxergar o valor daquele espaço”, reforça Luiza.

O que o reaparecimento significa agora

O registro em Imbé é um sinal de esperança, mas também um lembrete urgente. O tuco-tuco-das-dunas depende de um dos ecossistemas mais frágeis do Brasil e sua presença indica o quanto ainda há para preservar. Se o litoral continuar sob pressão, esse pequeno roedor pode desaparecer de vez das areias gaúchas.

Para os pesquisadores, o futuro da espécie está nas mãos da população. Conhecimento, respeito e pequenos gestos podem garantir a sobrevivência de um dos últimos habitantes originais das dunas do sul.

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