Galapagos giant tortoise Geochelone elephantopus.
(Imagem: Reprodução/Wikipedia)
Após séculos de declínio ecológico causado por caça excessiva e espécies invasoras, mais de 1.500 tartarugas gigantes foram reintroduzidas nas Ilhas Galápagos. Essas tartarugas, conhecidas como engenheiras do ecossistema, começaram a derrubar arbustos invasores, dispersar sementes e reativar processos naturais essenciais para a biodiversidade local. O sucesso do projeto demonstra o impacto positivo da conservação em habitats frágeis.
O programa de reintrodução faz parte de esforços contínuos iniciados há décadas pelo Parque Nacional Galápagos. Em 50 anos, quase 9.500 tartarugas foram criadas em cativeiro e liberadas em seu habitat natural, com foco em ilhas como Isabela, Española e Pinzón. As tartarugas gigantes Galápagos agora reproduzem naturalmente, sinalizando uma recuperação estável.
Declínio histórico e causas
Desde o século XVI, as Ilhas Galápagos sofreram com a exploração humana, reduzindo a população de tartarugas de cerca de 250 mil para menos de 15 mil indivíduos. Marinheiros caçavam os animais por sua carne e óleo, enquanto porcos, ratos e cabras introduzidos predavam ovos e destruíam ninhos. A urbanização e o turismo agravaram a perda de habitat.
Espécies como Chelonoidis hoodensis, da Ilha Española, quase desapareceram, restando apenas 14 adultos nos anos 1960. Programas de reprodução em cativeiro, apoiados pela Fundação Charles Darwin, reverteram esse quadro ao criar milhares de filhotes em centros em Santa Cruz, Isabela e San Cristóbal.
Impactos ecológicos da reintrodução
As tartarugas gigantes atuam como engenheiras ecológicas, controlando a vegetação invasora e promovendo a regeneração florestal. Ao pastarem, elas derrubam arbustos exóticos, permitindo o crescimento de plantas nativas, e suas fezes dispersam sementes essenciais para a fauna local. Esse processo restaura solos degradados e beneficia outras espécies endêmicas.
- População em Española supera 2.300 indivíduos, com reprodução natural desde os anos 1990.
- Em Pinzón, primeiros filhotes em um século após erradicação de roedores.
- Isabela lidera com 3.467 reintroduzidas, seguido por Española (1.911) e Santiago (1.360).
Esforços de conservação atuais
O Parque Nacional Galápagos mantém centros de criação onde tartarugas reproduzem em condições controladas antes da liberação. A erradicação de invasores como cabras e porcos foi crucial, liberando espaço para as populações nativas. Iniciativas como a Iniciativa Galápagos visam restaurar números históricos em todas as ilhas, incluindo Floreana, onde espécies extintas podem ser revividas com híbridos genéticos.
Histórias como a de Diego, macho que gerou mais de 800 descendentes, inspiram o trabalho. Hoje, 12 subespécies sobrevivem, com populações saudáveis indicadas por censos que mostram renovação constante de juveniles e adultos. O projeto não só salva as tartarugas, mas revitaliza todo o ecossistema das Ilhas Galápagos.
Com mais de 10 mil filhotes reintroduzidos historicamente, os esforços continuam para atingir 200 mil indivíduos, recuperando 100% do habitat original. Essa vitória da conservação destaca a importância de ações globais para espécies ameaçadas.