Linha de produção automotiva impulsionou o crescimento da indústria nacional em fevereiro.
(Imagem: gerado por IA)
A indústria brasileira deu mais um passo firme em direção à recuperação neste início de ano. Pelo segundo mês consecutivo, as fábricas do país aumentaram o ritmo, registrando um crescimento de 0,9% em fevereiro na comparação com janeiro. Os dados, divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, confirmam que o setor está conseguindo sustentar uma trajetória positiva, acumulando uma expansão sólida de 3% apenas nos dois primeiros meses de 2026.
Mais do que um simples ajuste estatístico, o desempenho atual coloca a produção industrial em um patamar 3,2% acima do que era registrado antes da pandemia, em fevereiro de 2020. Embora o recorde histórico de 2011 ainda pareça distante, a movimentação atual sugere que a engrenagem econômica está mais bem lubrificada, especialmente pela necessidade de recomposição de estoques após o período de férias coletivas no final do ano passado.
Segundo André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), o perfil desse crescimento é disseminado, atingindo 16 dos 25 ramos pesquisados. Isso indica que a melhora não está restrita a nichos isolados, mas reflete uma confiança maior no consumo interno e nas cadeias de suprimentos.
Os motores da alta: veículos e petróleo em destaque
O grande destaque do mês veio das montadoras. O setor de veículos automotores, reboques e carrocerias saltou expressivos 6,6% em fevereiro. Essa arrancada foi fundamental para eliminar os prejuízos registrados no fechamento de 2025, acumulando uma alta impressionante de 14,1% neste bimestre. Carros de passeio e autopeças foram os principais responsáveis por puxar essa fila.
Outro pilar de sustentação foi a indústria de petróleo e biocombustíveis, que avançou 2,5%. Com três meses seguidos de alta, o setor de refino e álcool etílico demonstra resiliência e aproveita o momento de demanda aquecida, consolidando um ganho de quase 10% no período recente.
Desafios e o contraponto da indústria farmacêutica
Apesar do clima de otimismo, o cenário não é de crescimento unânime. A indústria farmacêutica e de farmoquímicos apresentou uma queda de 5,5%, a principal influência negativa do relatório. No entanto, especialistas ponderam que esse recuo é, em parte, uma correção natural após o salto de 19% registrado no final do ano passado, dada a alta volatilidade característica desse setor.
Setores como metalurgia e produtos químicos também enfrentaram dificuldades, com quedas de 1,7% e 1,3%, respectivamente. Esse contraste reforça que, embora a indústria brasileira esteja em expansão, o caminho para uma recuperação plena exige atenção a custos de insumos e competitividade tributária — temas que o governo federal tenta endereçar com medidas como a redução de impostos e novos aportes para inovação.