Presidente Lula discute estratégias para controlar preços de combustíveis e gás de cozinha.
(Imagem: gerado por IA)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o recente leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) da Petrobras. Em uma declaração incisiva, o mandatário anunciou que irá anular o certame após as distribuidoras arrematarem o produto com preços até 100% superiores aos da tabela oficial da estatal.
Durante entrevista à TV Record Bahia nesta quinta-feira (2), Lula não poupou críticas à operação, classificando-a como uma "cretinice" e "bandidagem". Segundo o presidente, o leilão ocorreu à revelia da orientação direta do governo e da própria cúpula da Petrobras, que mantinha o compromisso de não reajustar o gás de cozinha.
A preocupação central reside no bolso das famílias mais vulneráveis. Lula questionou o abismo entre o preço de saída nas refinarias e o valor final pago pelo consumidor, ressaltando que não permitirá que o povo arque com os custos gerados por tensões internacionais.
Subsídio ao diesel e o combate à inflação
Além da crise no setor de gás, o governo federal monitora de perto a escalada do óleo diesel, combustível essencial para o transporte de cargas e com impacto direto no índice de inflação. Com cerca de 30% do consumo interno dependente de importações, o Brasil sofre a pressão dos conflitos no Oriente Médio.
Para mitigar esse cenário, Lula revelou que uma Medida Provisória (MP) deve ser publicada ainda esta semana. O plano prevê a criação de um subsídio para o diesel importado, garantindo um desconto de R$ 1,20 por litro, evitando que o aumento chegue às bombas e encareça os alimentos.
O presidente também criticou o comportamento de alguns postos de combustíveis. Segundo ele, há aumentos injustificados na gasolina e no álcool, o que ele define como uma prática abusiva de mercado que o governo pretende combater com rigor.
Estratégia para retomada do controle energético
No centro da estratégia governamental está a revisão do modelo de privatizações ocorrido em gestões anteriores. Lula lamentou a venda da BR Distribuidora e da Liquigás, afirmando que a ausência de uma rede de distribuição estatal impede o governo de regular os preços de forma mais eficaz.
O plano de médio prazo inclui a recompra de ativos estratégicos, como a Refinaria de Mataripe, na Bahia. O objetivo é aumentar a capacidade de refino nacional e reduzir a dependência de combustíveis importados, que são cotados em dólar e vulneráveis à volatilidade externa.
A Petrobras, por sua vez, ainda não detalhou as condições técnicas que levaram ao ágio no leilão. Enquanto aguarda o posicionamento oficial da estatal, o governo reforça que o foco será o fortalecimento de programas sociais como o Gás do Povo, assegurando o acesso básico à energia para as famílias de baixa renda.