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Noite Polar

Cidade onde o sol não nasce: 6 meses na escuridão

15 jan 2026 - 18h19 Joice Gomes   atualizado às 18h29
Cidade onde o sol não nasce: 6 meses na escuridão Longyearbyen em Svalbard na Noruega. (Imagem: Reprodução)

Imagine acordar todos os dias sem ver o sol por quase seis meses. Essa é a realidade em Longyearbyen, a capital do arquipélago norueguês de Svalbard, localizada a 78 graus de latitude norte, próxima ao Polo Norte. A noite polar, fenômeno causado pela inclinação do eixo terrestre, faz com que o Sol fique abaixo do horizonte de outubro a fevereiro, transformando o inverno em um período de escuridão quase total.

Ainda que o céu escuro domine, há luzes naturais como a lua, estrelas e auroras boreais que iluminam o céu. Em Longyearbyen, com cerca de 2.500 habitantes de mais de 50 nacionalidades, a vida segue apesar das condições extremas. A cidade, fundada em 1906 como assentamento mineiro, hoje é centro de pesquisa, turismo e administração em um ambiente de tundra ártica.

O que causa a noite polar?

A noite polar ocorre porque a Terra está inclinada 23,5 graus em seu eixo. Durante o inverno do Hemisfério Norte, regiões acima do Círculo Polar Ártico recebem menos raios solares, e em locais como Svalbard o Sol não ultrapassa 6 graus abaixo do horizonte por meses. Em Longyearbyen, a noite civil polar vai de 14 de novembro a 29 de janeiro, mas a estação escura se estende de outubro a fevereiro.

O contraste é impressionante: no verão, o sol da meia-noite brilha 24 horas por dia de abril a agosto. Esse ciclo afeta fauna, flora e humanos, com temperaturas que podem cair abaixo de -40°C e pouca precipitação, classificando o clima como desértico ártico.

Como os moradores sobrevivem à escuridão?

Os habitantes de Longyearbyen usam lâmpadas de terapia de luz para simular raios solares e combater deficiências de vitamina D e transtorno afetivo sazonal. Eventos comunitários, festivais e atividades internas mantêm o ânimo elevado durante a noite polar.

  • Iluminação artificial em ruas e casas garante visibilidade 24 horas.
  • Suplementos vitamínicos e dietas ricas em peixes combatem a falta de sol.
  • Esportes indoor, como natação e escalada, e saídas com lanternas de cabeça para observar auroras.
  • Comunidade multicultural organiza jantares, concertos e paradas com tochas no Natal.

A rotina é adaptada: escolas, hospital, supermercados e pubs funcionam normalmente. A mineração de carvão ainda emprega muitos, mas turismo e o Centro Universitário em Svalbard (UNIS), com foco em estudos árticos, diversificam a economia. Voos regulares de Tromsø conectam a cidade ao mundo.

Curiosidades de Longyearbyen

Além da noite polar, Longyearbyen tem regras únicas: é proibido morrer na cidade devido ao permafrost, que impede decomposição de corpos e risco de doenças antigas. Ursos polares rondam, exigindo armas fora dos limites urbanos. A população média fica sete anos, atraída por salários altos e natureza selvagem.

No verão, o sol constante exige cortinas blackout para dormir. A cidade tem cervejaria, chocolateria e estufa para vegetais frescos. Com apenas 40 km de estradas, motos de neve são o principal transporte no inverno. Esses extremos fazem de Longyearbyen um lugar fascinante, onde humanos e natureza convivem em harmonia árctica.

A noite polar não é só desafio, mas oportunidade para auroras boreais e céus estrelados. Moradores relatam abraçar a escuridão, encontrando magia no silêncio nevado. Para quem sonha com o Ártico, Svalbard prova que a adaptação humana supera qualquer extremidade.

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