Ostras exóticas invasoras viram artigo de luxo.
(Imagem: de freepic.diller no Freepik)
Uma praga que assola as costas argentinas pode se tornar a estrela de um produto gourmet. Pesquisadores do CONICET e da Universidade Nacional do Sul (UNS) estão finalizando o primeiro molho de ostra nacional, feito a partir da ostra-do-pacífico, espécie invasora que ameaça ecossistemas marinhos.
O projeto, 90% concluído, une ciência e indústria para transformar um problema ambiental em oportunidade econômica. Parceria com a empresa Cultivo Ostras SAS promete reduzir importações e gerar valor para comunidades costeiras.
Introduzida ilegalmente nos anos 1980 em Bahía San Blas, a ostra-do-pacífico (Crassostrea gigas) se proliferou rapidamente. Seus bancos densos alteram habitats naturais, afetam aves e peixes, e causam transtornos em praias turísticas como Pehuen Có e Monte Hermoso.
Do problema à solução sustentável
A ostra-do-pacífico modifica o fundo marinho, competindo com espécies nativas e reduzindo a biodiversidade. Detectada no estuário de Bahía Blanca em 2010, a invasora ganhou visibilidade em 2015 pelos impactos visíveis e riscos à saúde, como contaminação por efluentes.
Agora, o foco muda para o aproveitamento. O time liderado pela pesquisadora Sandra Botté, do Instituto Argentino de Oceanografia (IADO), padroniza processos desde a colheita até a estabilização do molho. Áreas certificadas pelo SENASA, de Los Pocitos a San Blas, garantem segurança alimentar.
Impactos econômicos e ambientais
O molho de ostra argentino chega em momento ideal. Produto importado hoje, ele pode diversificar a produção local, criar empregos e capacitar mão de obra em Patagones e Bahía Blanca. A colheita em escala ajuda a controlar a proliferação da invasora.
- Redução de importações de molho de ostra, popular na culinária asiática e gourmet.
- Geração de uma indústria sustentável, com testes de vida útil e análises nutricionais em fase final.
- Fortalecimento de economias costeiras, com potencial para exportação e eventos como a Fiesta Provincial de la Ostra.
- Abordagem multidisciplinar: bioprocessos do PLAPIQUI e análises do INBIOSUR.
Financiado pelo FITBA 2023, o piloto avança para produção industrial. Juan Urizar, da Cultivo Ostras SAS, destaca a colaboração com o CONICET como chave para o sucesso. Eder Dos Santos enfatiza que o escalonamento pode mitigar a dispersão da espécie.
Essa iniciativa exemplifica como a ciência resolve desafios reais. Ao virar matéria-prima para o molho de ostra, a praga ganha nova função, beneficiando meio ambiente e sociedade. Futuros projetos exploram mais derivados, com visão socioeconômica.
O Brasil, que enfrenta invasoras semelhantes no litoral, pode se inspirar nesse modelo. A transição de praga para produto de luxo mostra o poder da inovação aplicada.