Dores nas costas lideram, seguidas por transtornos mentais como ansiedade e depressão.
(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O ano de 2025 registrou um marco preocupante no mercado de trabalho brasileiro: doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores de suas funções, o maior número desde 2021, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
Esse volume representa um aumento de 17,1% em relação a 2024, refletindo desafios crescentes na saúde ocupacional dos brasileiros. Pelo terceiro ano consecutivo, as dores nas costas ocuparam o topo do ranking das causas de afastamento.
Os números foram divulgados recentemente e chamam atenção para a necessidade de políticas preventivas no ambiente laboral. Cada licença por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença é concedida após perícia médica do INSS para afastamentos superiores a 15 dias.
Dores nas costas lideram novamente
A dorsalgia, popularmente conhecida como dor nas costas, foi responsável por 237.113 concessões de benefícios em 2025. Esse quadro se mantém estável desde 2023, afetando principalmente trabalhadores que lidam com posturas inadequadas ou levantamento de peso.
Em segundo lugar, surgem transtornos de discos intervertebrais, como a hérnia de disco, com 208.727 casos. Esses problemas musculoesqueléticos dominam as estatísticas, indicando falhas em ergonomia e prevenção nas empresas.
Especialistas apontam que profissões como motoristas, carregadores e operadores de máquinas estão mais vulneráveis. A repetição desses líderes no ranking reforça a urgência de investimentos em saúde ocupacional.
Saúde mental em ascensão alarmante
Embora as dores físicas ainda comandem, os transtornos mentais ganharam força e, somados, formam a segunda principal causa de doenças afastaram trabalhadores. Foram mais de 546 mil licenças por questões emocionais, um recorde em uma década e crescimento de 15% ante 2024.
A ansiedade liderou com 166.489 afastamentos, seguida pela depressão, com 126.608 casos. Transtornos como bipolaridade, estresse grave e dependência química também aparecem na lista, sinalizando um adoecimento coletivo pós-pandemia.
- Aniedade: 166.489 licenças;
- Depressão: 126.608 licenças;
- Outros transtornos mentais: mais de 250 mil casos somados.
Estados como São Paulo (149 mil afastamentos mentais), Minas Gerais (83 mil) e Rio Grande do Sul destacam-se nos números absolutos, mas proporcionalmente à população, regiões menores mostram taxas elevadas.
Como funciona o afastamento por doença
Nos primeiros 15 dias de licença, a empresa arca com o salário do trabalhador. A partir do 16º dia, o INSS assume o pagamento do benefício por incapacidade temporária, mediante perícia médica que analisa laudos e exames.
O valor é calculado com base na média das contribuições previdenciárias, podendo ser prorrogado conforme evolução clínica. Uma mesma pessoa pode ter múltiplas licenças no ano, e cada uma é contada separadamente nas estatísticas.
Para evitar esses afastamentos, empregadores devem investir em NR-1, que inclui saúde mental na fiscalização. Medidas como ginástica laboral, suporte psicológico e ajustes ergonômicos podem reduzir em até 30% esses índices, segundo estudos.
Impactos econômicos e sociais
Os 4,1 milhões de afastamentos geram prejuízos bilionários às empresas e à Previdência, além de afetar famílias e produtividade nacional. O Brasil gasta cerca de R$ 30 bilhões anuais com esses benefícios, valor que poderia ser redirecionado para prevenção.
A alta de transtornos mentais reflete pressões como home office mal gerido, metas abusivas e instabilidade econômica. Campanhas de conscientização e telemedicina têm ajudado, mas faltam ações integradas entre governo, empresas e SUS.
Trabalhadores relatam que o estigma ainda impede denúncias precoces. Incentivar o diálogo sobre saúde mental nas empresas é essencial para reverter essa tendência em 2026.
Dados como esses reforçam que doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores não é só estatística: é um alerta para transformar o trabalho em ambiente saudável. Prevenção agora evita crises maiores amanhã.