O dólar cai para R$ 5,20 nesta terça (27), menor cotação em 20 meses.
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
O mercado financeiro brasileiro registrou um dia histórico nesta terça-feira (27). O dólar cai forte e encerra cotado a R$ 5,206, com recuo de 1,41%, atingindo o menor valor desde maio de 2024. Ao mesmo tempo, o Ibovespa, principal índice da B3, avançou 1,79% e fechou em 181.919 pontos, renovando recordes.
Essa movimentação reflete um otimismo generalizado, alimentado por fatores internos e externos. No Brasil, a prévia da inflação oficial (IPCA-15) de janeiro veio em 0,20%, abaixo das expectativas de 0,22%. No cenário global, declarações de Donald Trump sobre o dólar americano e migração de capitais para emergentes como o Brasil impulsionam o real.
Dólar em mínima histórica
O dólar cai de forma contínua ao longo do pregão, fechando próximo da mínima do dia. A cotação comercial foi vendida a R$ 5,206, com desvalorização de R$ 0,074. Esse é o patamar mais baixo em 20 meses, acumulando queda de 5,16% no ano.
Analistas apontam para o fluxo de capitais estrangeiros como principal motor. Investidores migram recursos dos EUA para mercados emergentes, pressionados por políticas imprevisíveis de Trump, incluindo recuos em tarifas à UE e menções à Groenlândia. Nos EUA, o dólar enfraquece apesar de yields mais altos, o que beneficia o real.
O economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, destaca que o real é favorecido por esse movimento global e pela expectativa de cortes comedidos na Selic a partir de março. Em 2025, o dólar já havia caído 11,18%, maior baixa anual desde 2016.
Ibovespa renova recordes
O Ibovespa vive sequência de ganhos impressionantes. Nesta terça, o índice saltou 1,79%, aos 181.919 pontos, superando o recorde anterior de 178.858. Intraday, chegou a furar os 183 mil pontos.
- Vale (VALE3) subiu quase 3%, impulsionada por prévia operacional do 4T25;
- Petrobras se aproxima de US$ 490 bilhões em valor de mercado;
- Raízen (RAIZ4) liderou ganhos, com alta superior a 13%;
- Bancos, Vale e Petrobras representam 50% da carteira teórica do índice.
O saldo de investimentos estrangeiros na B3 já supera R$ 15,7 bilhões no mês. A alta reflete apetite por ações locais, apoiado pelo diferencial de juros e otimismo com a economia brasileira.
Inflação controlada dá fôlego
A prévia do IPCA-15 de janeiro registrou alta de 0,20%, inferior ao projetado. No acumulado de 12 meses, fica em 4,50%, no teto da meta. Fatores como conta de luz mais barata (-2,91%, bandeira verde) e passagens aéreas (-8,92%) seguraram os preços.
Alimentos subiram 0,31%, puxados por tomate (16,28%) e batata (12,74%), mas leite e arroz caíram. Saúde e cuidados pessoais (+0,81%) e comunicação (+0,73%) foram os vilões. O dado reforça apostas em Selic estável nesta semana, com cortes em março.
O Copom se reúne nos dias 27 e 28, com consenso de manutenção em 15%. Boletim Focus prevê Selic em 12,25% no fim do ano. Paralelamente, o Fed americano também decide na Superquarta, em meio a tensões com Trump.
Olhar global e perspectivas
No exterior, Wall Street teve dia misto: S&P 500 +0,42%, Nasdaq +0,91%, Dow -0,83%. Europa avançou, com STOXX 600 +0,6%. Ásia fechou positiva, com Hang Seng +1,35% e Nikkei +0,85%.
Trump comentou que o dólar americano "está indo muito bem", apesar da queda acentuada. Tensões com Fed, risco de shutdown e tarifas à Coreia do Sul (de 15% para 25%) agitam mercados. Acordo UE-Índia abre novas oportunidades comerciais.
Para o Brasil, o cenário é positivo, mas cauteloso. A valorização do real beneficia importadores e controle inflacionário, mas exige vigilância com Copom e Fed. Investidores seguem atentos à Superquarta e fluxo de capitais.
Esse dia de euforia reforça a resiliência do mercado brasileiro em 2026, com dólar cai e bolsa em alta sinalizando confiança na economia.