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Bolsa brasileira renova recorde histórico e dólar recua a R$ 5,17 após decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifaço

20 fev 2026 - 20h05 Joice Gomes   atualizado em 22/02/2026 às 08h50
Bolsa brasileira renova recorde histórico e dólar recua a R$ 5,17 após decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifaço A decisão da Suprema Corte dos EUA contra o tarifaço derruba o dólar para R$ 5,17 e leva a bolsa brasileira a recorde histórico acima de 190 mil pontos. (Imagem: gerado por IA)

A bolsa de valores brasileira encerrou a sexta-feira em recorde histórico, enquanto o dólar comercial recuou para R$ 5,17, o menor patamar em quase dois anos, em um dia marcado pela reação global à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos contra o chamado tarifaço do governo Donald Trump.

O índice Ibovespa, principal termômetro do mercado acionário, superou pela primeira vez a marca simbólica de 190 mil pontos, em meio a um ambiente de forte apetite por risco e valorização de ações de bancos e mineradoras.

No câmbio, o movimento foi de valorização do real e de outras moedas de países emergentes, refletindo a percepção de menor pressão sobre o comércio internacional após a reversão de grande parte das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Esse cenário consolidou a jornada desta sexta-feira como um marco para o mercado financeiro doméstico em 2026, reforçando o desempenho positivo acumulado desde o início do ano.

Por que a bolsa bateu recorde histórico

O Ibovespa fechou o pregão aos 190.534 pontos, em alta de 1,06% no dia, impulsionado especialmente por ações de mineradoras e de bancos, que têm grande peso na composição do índice.

Na semana encurtada pelo carnaval, a bolsa brasileira acumulou valorização de 2,18% e, em 2026, já soma uma alta de 18,25%, refletindo uma combinação de fluxo externo, expectativa macroeconômica mais favorável e cenário internacional momentaneamente menos tenso no comércio.

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar a maior parte do tarifaço foi interpretada pelos investidores como um alívio relevante para o comércio global, reduzindo riscos para empresas exportadoras e cadeias produtivas ligadas a commodities e indústria.

Esse movimento reforçou a busca por ativos de risco em mercados emergentes, com o Brasil se beneficiando pela liquidez, tamanho de mercado e presença de grandes empresas listadas na bolsa.

Como a decisão da Suprema Corte dos EUA influenciou o dólar

No mercado de câmbio, o dólar a R$ 5,17 se tornou um dos principais símbolos da reação à decisão judicial norte-americana.

O dólar comercial fechou vendido a R$ 5,176, queda de R$ 0,051, o equivalente a um recuo de 0,98% no dia, após operar próximo à estabilidade na abertura e passar a cair ainda no meio da manhã, antes mesmo da divulgação oficial da decisão.

A moeda estadunidense atingiu o menor nível desde 28 de maio de 2024, quando era negociada a R$ 5,15, acumulando queda de 1,03% na semana e de 5,69% desde o início de 2026.

O movimento não se restringiu ao Brasil: em todo o mundo, o dólar perdeu força após a reversão das tarifas, beneficiando principalmente moedas de países emergentes mais sensíveis ao fluxo de capitais e ao comércio internacional.

Impactos sobre o euro e outras moedas

Além do dólar a R$ 5,17, o dia também foi de forte ajuste para outras moedas de referência negociadas no mercado brasileiro.

O euro comercial caiu 0,86% e encerrou o pregão em R$ 6,09, o menor patamar desde 27 de fevereiro do ano anterior, reforçando o movimento generalizado de fortalecimento do real frente às principais divisas internacionais.

A leitura predominante entre analistas foi de que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos reduz, ao menos no curto prazo, parte da incerteza sobre o custo de importações e exportações, apoiando moedas ligadas a comércio e commodities.

Com isso, o Brasil passa a figurar novamente entre os destinos preferenciais para investidores em busca de retorno em mercados emergentes, em um momento de juros ainda elevados e bolsa em tendência de alta.

O que muda com o fim do tarifaço

O chamado tarifaço foi um conjunto amplo de tarifas sobre produtos importados, implementado durante o governo de Donald Trump com o objetivo de proteger a indústria norte-americana, mas que acabou aumentando tensões comerciais e incertezas globais.

Com a derrubada da maior parte dessas tarifas pela Suprema Corte, a percepção é de que parte dos entraves ao comércio internacional pode ser reduzida, favorecendo fluxos de mercadorias e investimentos em cadeias globais de produção.

No caso brasileiro, empresas exportadoras de commodities e setores ligados a comércio externo tendem a se beneficiar de um ambiente global menos tarifado, o que ajuda a explicar a forte alta de ações de mineradoras e bancos, que costumam se valorizar em ciclos de crescimento e maior circulação de capital.

Mesmo com o anúncio do presidente Donald Trump de que pretende impor uma tarifa global de 10% por 120 dias sobre produtos que entrarem nos Estados Unidos, o mercado não reagiu de forma negativa neste primeiro momento.

Por que o mercado ignorou o novo anúncio de Trump

Apesar do sinal de que Trump ainda pretende adotar medidas protecionistas, o discurso sobre a tarifa global de 10% por 120 dias não foi suficiente para reverter o clima de otimismo.

Depois da entrevista coletiva em que o presidente mencionou a nova iniciativa, o dólar acelerou a queda e a bolsa brasileira ampliou a alta, indicando que investidores consideraram mais relevante a derrubada estrutural do tarifaço pela Suprema Corte do que a ameaça de uma medida temporária.

Analistas avaliam que a sinalização jurídica vinda da Suprema Corte tem impacto mais duradouro do que anúncios de curto prazo, o que reforça a leitura de alívio para o comércio global.

Além disso, o mercado tende a precificar o cenário concreto de tarifas efetivamente em vigor, aguardando detalhes e possíveis limites legais para novas medidas que venham a ser anunciadas.

O que pode acontecer daqui para frente

Com o dólar a R$ 5,17 e a bolsa renovando máximas históricas, o foco agora se volta para a sustentabilidade desse movimento e para os próximos passos da política comercial dos Estados Unidos.

Se a decisão da Suprema Corte for consolidada e não houver novas ofensivas tarifárias de grande escala, o cenário tende a continuar favorável para moedas de países emergentes e para ativos de risco, especialmente em mercados líquidos como o brasileiro.

Por outro lado, qualquer nova rodada de incertezas em relação a tarifas, disputas comerciais ou mudanças bruscas no fluxo de capitais pode trazer volatilidade de volta ao câmbio e à renda variável.

Para investidores e empresas, o momento exige acompanhamento próximo de decisões judiciais e políticas nos Estados Unidos, já que elas seguem influenciando diretamente o custo de financiamento, o apetite por risco e a formação de preços de ativos no mercado doméstico.

  • O Ibovespa fechou em 190.534 pontos, em alta de 1,06% no dia e 18,25% no ano.
  • O dólar a R$ 5,17 atingiu o menor nível desde maio de 2024, com queda de 5,69% em 2026.
  • O euro comercial recuou para R$ 6,09, o menor patamar desde fevereiro do ano anterior.
  • A Suprema Corte dos EUA derrubou a maior parte do tarifaço do governo Donald Trump, reduzindo incertezas sobre o comércio global.
  • Trump anunciou intenção de impor tarifa global de 10% por 120 dias, mas o mercado manteve o tom otimista.
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