A 15ª Conferência das Partes da CMS terminou em Campo Grande com 40 novas espécies protegidas, Bosque da COP15 e revitalização da Casa do Homem Pantaneiro, impulsionando ações globais pela biodiversidade.
(Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), sediada em Campo Grande de 23 a 29 de março de 2026, encerrou deixando um legado duradouro de conscientização ambiental e compromissos concretos para a conservação da biodiversidade.
O evento, realizado no coração do Pantanal, reuniu representantes de 132 países e a União Europeia para debater rotas migratórias, habitats ameaçados e ações de proteção sob o tema “Conectando a natureza para sustentar a vida”. A capital sul-mato-grossense, porta de entrada para biomas como Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, foi escolhida por seu potencial de harmonizar desenvolvimento urbano com preservação ambiental.
Avanços inéditos na proteção de espécies
A COP15 aprovou a inclusão de mais de 40 espécies em listas de proteção da Convenção sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), conhecida como Convenção de Bonn. Dentre elas, destacam-se aves como o maçarico-de-bico-torto e o maçarico-de-bico-virado no Anexo I, para animais ameaçados de extinção, e o peixe pintado, o tubarão cação-cola-fina e o caboclinho-do-pantanal no Anexo II, que exige esforços internacionais de conservação.
Foram firmadas 16 novas ações de cooperação global e 39 resoluções sobre saúde animal, proteção de habitats e adaptação de infraestruturas como barragens de energia, que frequentemente bloqueiam rotas migratórias. Propostas brasileiras, como o Plano de Ação para Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e conservação do tubarão-mangona e tubarão-peregrino, receberam ampla adesão, representando um avanço de 10% na redução do déficit global de proteção para essas espécies.
O relatório Estado das Espécies Migratórias do Mundo (2024) reforça a urgência: uma em cada cinco espécies da CMS está em risco de extinção devido à perda de habitat e mudanças climáticas. A liderança brasileira, sob a ministra Marina Silva, enfatizou a cooperação como antídoto para crises geopolíticas, com o presidente Lula presente no segmento presidencial.
Conexão sem Fronteiras aproxima público dos debates
Além da Zona Azul restrita a credenciados, a programação paralela “Conexão sem Fronteiras” democratizou o acesso ao conhecimento na revitalizada Casa do Homem Pantaneiro, no Parque das Nações Indígenas. O antigo prédio, restaurado para o evento, sediou exposições, sessões de cinema ambiental no Cine Pantanal, debates sobre incêndios e preservação da fauna.
Estudantes e professores relataram impacto transformador. Luiz Henrique Kinikinau, aluno de agroecologia da Uems, destacou a descoberta de aves migratórias comuns no território. A educadora Adriana Suzuki planeja projetos pedagógicos baseados nas atividades, multiplicando o saber para salas de aula.
A secretária Nacional de Biodiversidade, Rita Mesquita, celebrou a receptividade: o espaço se consolida como polo democrático de ciência ambiental. O governador Eduardo Riedel e a ministra Marina Silva visitaram o local, garantindo sua continuidade pós-evento como ponto fixo de educação ambiental.
Legados físicos e científicos para o futuro
O Bosque da COP15, plantado por delegados internacionais, ganhou 250 mudas de árvores nativas do Cerrado e frutíferas, seguindo a regra 3-30-300 para equilíbrio verde urbano. Localizado em área estratégica, o espaço simboliza união global e ação local, fortalecendo o compromisso de Mato Grosso do Sul com a neutralidade de carbono até 2030.
O secretário de Meio Ambiente do estado, Jaime Verruck, posicionou a COP15 como consolidação do protagonismo sul-mato-grossense, conciliando agropecuária sustentável, fundo climático e parcerias internacionais. Um edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação fomentará pesquisas sobre rotas migratórias em universidades e centros brasileiros.
Outros marcos incluem o Atlas de Rotas Migratórias de Aves Vulneráveis e demandas de povos tradicionais por reconhecimento de saberes ancestrais. O Banco do Brasil compensará emissões do evento, reforçando responsabilidade corporativa.
Impactos para o Brasil e o mundo
A realização da COP15 eleva Campo Grande ao mapa global da conservação, impulsionando turismo ecológico e investimentos em ciência. Decisões têm força legal para as Partes da CMS, demandando adaptações em políticas de energia, pesca e urbanismo.
No Pantanal, maior planície alagável do planeta, a proteção de espécies migratórias beneficia ecossistemas inteiros, combatendo secas e incêndios. Especialistas preveem redução de conflitos homem-fauna e fortalecimento de corredores ecológicos transfronteiriços.
- Mais de 2 mil especialistas de cem países debateram em Campo Grande.
- Revitalização do Parque das Nações Indígenas como legado urbano.
- Propostas indígenas para integração de conhecimentos tradicionais nas CMS.
- Compatibilização de hidrelétricas com migrações de peixes amazônicos e pantaneiros.
- Compromisso com onça-pintada via ações conjuntas multilaterais.
Os resultados posicionam o Brasil como líder em biodiversidade, especialmente ante a COP30 em Belém. A conscientização gerada transcende o evento, inspirando ações cotidianas para conectar naturezas e sustentar vidas em um planeta interligado.