Aeronave com 272 passageiros sofre falha no motor esquerdo segundos após sair do chão, mas retorna em segurança; não há feridos.
(Imagem: Divulgação)
O motor de um avião da Delta Airlines explodiu segundos após a decolagem do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, na noite deste domingo (29), obrigando o piloto a realizar um pouso de emergência. O voo 104, operado com um Airbus A330‑300, que deveria seguir de Guarulhos para Atlanta, nos Estados Unidos, retornou ao aeroporto em segurança; segundo as primeiras informações oficiais, não há registro de feridos entre os 272 passageiros e os 14 tripulantes.
O incidente ocorreu cerca de nove a dez minutos após o avião deixar o solo, quando a torre de controle percebeu fumaça e chamas vindo da região do motor esquerdo. O comandante declarou “mayday”, acionou os serviços de emergência aeroportuários e seguiu os procedimentos de emergência para voo monomotor, pousando na pista 10L. A aeronave, matrícula N813NW, foi recebida pela equipe de combate a incêndio aeroportuário (ARFF) e conduzida para fora da área de manobra, enquanto passageiros eram desembarcados de ônibus no terminal.
O que se sabe sobre o incidente
Segundo nota divulgada pela Delta, o voo 104 “retornou ao aeroporto logo após a decolagem após um problema mecânico no motor esquerdo da aeronave”. A companhia reforçou que a segurança de clientes e tripulação é prioridade e que pede desculpas pelo atraso nas viagens. Ainda não há detalhamento público sobre a causa exata da falha, que pode ser mecânica, relacionada a temperatura excessiva, componente danificado ou até colisão com ave ou outro objeto, hipóteses que costumam ser investigadas em eventos semelhantes.
Vídeos gravados perto das pistas mostram um forte estouro seguido de chamas na região do motor e faíscas na pista, geradas por fragmentos metálicos arremessados. Parte desses detritos caiu fora da área asfaltada, provocando um foco de incêndio no gramado ao lado da pista. A administração do aeroporto informou que, por medida de precaução, uma das pistas ficou temporariamente fechada até que a pista fosse varrida e liberada, o que gerou atrasos e remanejamentos em outros voos.
Resposta das autoridades e impacto operacional
Além da brigada de incêndio aeroportuária, o Corpo de Bombeiros foi acionado e chegou rapidamente ao local, mas o fogo foi controlado ainda na pista. Testemunhas relatam que, apesar do susto, muitos passageiros desceram tranquilos, alguns aliviados por terem conseguido se comunicar com familiares antes de o avião sair do chão. Outros, especialmente com crianças, relataram momentos de pânico, com gritos a bordo e aparelhos de celular sendo usados para gravar imagens da aeronave em chamas.
Com a interdição parcial da pista para varrição de destroços e inspeção, o fluxo de decolagens e pousos foi reduzido por cerca de algumas horas, o que impactou voos domésticos e internacionais programados para a madrugada. A Delta afirma que trabalha para reacomodar os 272 passageiros em outros voos para Atlanta ou em acomodações terrestres, conforme horário e disponibilidade. Internamente, a companhia tende a iniciar auditoria de manutenção e revisão de registros técnicos da aeronave para apurar eventuais sinais prévios da falha.
Segurança em voos com falha de motor
O Airbus A330 é certificado para operar com apenas um motor ativo, inclusive em fase de decolagem, o que é treinado em simuladores. Procedimentos de emergência preveem que o tripulante reduza a potência no motor afetado, separe o combustível, acione o sistema de extinção e, se necessário, deixe o motor desligado, mantendo a aeronave em voo controlado com o motor sadio. Nesse caso, tudo indica que o comandante conseguiu manter altitude mínima suficiente, alinhar o avião com a pista e executar um pouso estável, sem escapamento ou colapso estrutural.
No Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) deve acompanhar a análise técnica do fabricante e da empresa operadora, além de eventual investigação que possa ser aberta por órgãos de segurança operacional. Eventos de explosão de motor em decolagem são raros, mas não inéditos globalmente; estudos de segurança aérea indicam que treinamento rigoroso, inspeções periódicas e uso de sistemas de monitoramento em tempo real reduzem significativamente o risco de acidentes fatais em situações semelhantes.
Reflexos para passageiros e setor aéreo
- Passageiros originais do voo 104 podem ter direito a reembolso, reacomodação ou assistência segundo o regulamento de passageiros e normas internacionais, especialmente se o voo não for reprogramado em prazo curto.
- A companhia aérea tende a reforçar a comunicação com clientes via aplicativo, e‑mail e representantes no aeroporto, informando horários alternativos e opções de hospedagem quando necessário.
- O caso reacende o debate sobre a capacidade de resposta emergencial em aeroportos brasileiros, sobretudo em terminais de grande porte como Guarulhos, onde a gestão de incidentes precisa coordenar mais de uma dezena de equipes.
- Eventualmente, órgãos de regulação podem revisar protocolos de liberação de pista após detecção de fragmentos de motor, incluindo tempos de varredura e critérios de reabertura.
Com a circulação já liberada na manhã desta segunda‑feira, o aeroporto de Guarulhos voltou a operar normalmente, mas o incidente deixa evidência da importância de manutenção preventiva em motores de grande porte e da preparação das equipes de solo para rapidamente conter focos de incêndio e manter o tráfego aéreo seguro. Para os passageiros, o episódio é um lembrete de que, mesmo em situações de alto risco, procedimentos técnicos e humanos bem estabelecidos podem evitar tragédias.