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Mercado financeiro reduz previsão do IPCA para 3,97% em 2026, dentro da meta do Banco Central

09 fev 2026 - 11h36 Joice Gomes   atualizado às 11h40
Mercado financeiro reduz previsão do IPCA para 3,97% em 2026, dentro da meta do Banco Central Mercado financeiro ajustou a previsão da inflação (IPCA) para 3,97% em 2026, queda de 3,99%, segundo Boletim Focus do Banco Central. (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo)

O mercado financeiro brasileiro ajustou para baixo sua expectativa para a inflação oficial do país em 2026. A previsão do IPCA caiu de 3,99% para 3,97%, conforme o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central.

Essa é a quinta semana seguida de redução na estimativa, o que reflete uma percepção de maior controle sobre os preços. O índice agora se posiciona confortavelmente dentro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3% com tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O Boletim Focus compila as projeções de mais de cem instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos, servindo como termômetro para as decisões do Banco Central.

Contexto da desinflação em 2026

Essa trajetória de queda nas previsões para o IPCA em 2026 vem após um 2025 marcado por acumulado de 4,26% no índice. Em dezembro do ano passado, a inflação mensal foi de 0,33%, impulsionada por alta nos transportes por aplicativo e passagens aéreas.

Para 2027, a projeção permaneceu em 3,8%, enquanto para 2028 e 2029 ficou em 3,5% em ambos os anos. Esses números indicam uma convergência gradual para o centro da meta, o que pode facilitar a normalização da política monetária.

A primeira divulgação oficial do IPCA de 2026, referente a janeiro, será amanhã (10) pelo IBGE. Prévia recente do IPCA-15 apontou desaceleração para 0,20% no mês, graças a quedas em energia elétrica e transportes.

Taxa Selic e política monetária

A Taxa Selic, principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, está em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006. O Copom manteve os juros inalterados pela quinta reunião consecutiva, mas sinalizou início de cortes em março, desde que a inflação continue controlada.

O mercado projeta Selic em 12,25% no fim de 2026, 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,5% em 2029. Essa redução visa equilibrar o controle inflacionário com estímulo à atividade econômica, já que juros altos encarecem o crédito e freiam investimentos.

Instituições financeiras consideram fatores como inadimplência e custos operacionais ao definir spreads, mas a trajetória da Selic influencia diretamente o custo do dinheiro para empresas e famílias.

Impactos na economia real

Uma inflação mais baixa, como a prevista no IPCA de 3,97%, beneficia o poder de compra da população, estabilizando preços de itens essenciais como alimentos e energia. Isso pode impulsionar o consumo e apoiar a recuperação econômica pós-2025.

No entanto, a manutenção de juros elevados por mais alguns meses pressiona o endividamento familiar e empresarial. Cortes graduais na Selic devem baratear empréstimos, fomentando produção e emprego.

  • Projeção de PIB em 1,8% para 2026 e 2027, estável em relação à edição anterior do Focus.
  • Crescimento de 2% esperado para 2028 e 2029, puxado por indústria e agropecuária.
  • Dólar projetado em R$ 5,50 no fim de 2026 e 2027, influenciando importações e exportações.

Perspectivas futuras e desafios

O terceiro trimestre de 2025 registrou estabilidade no PIB (alta de 0,1%), após expansão de 3,4% no ano inteiro – o melhor resultado desde 2021. O consolidado de 2025 sai em 3 de março pelo IBGE.

Fatores como preços administrados, câmbio volátil e cenário global podem pressionar o IPCA. O Banco Central monitora esses riscos para evitar desvios da meta, priorizando a credibilidade da política monetária.

Analistas destacam que a convergência das expectativas para níveis próximos de 3% reforça a autonomia do BC, essencial para atrair investimentos estrangeiros e sustentar a estabilidade macroeconômica no longo prazo.

Essa edição do Boletim Focus reforça o otimismo cauteloso do mercado, com foco na transição para um ciclo de afrouxamento monetário sem comprometer o combate à inflação.

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