Camilo Santana, ministro da Educação.
(Imagem: Divulgação/Reprodução)
Educadores e gestores seguem em alerta, já que o Ministério da Educação (MEC) ainda não divulgou o reajuste oficial do Piso Nacional do Magistério 2026. A indefinição afeta o orçamento de estados e municípios e gera incerteza sobre os salários de milhares de docentes em todo o país.
Reajuste indefinido afeta planejamento em todo o país
Até o dia 25 de dezembro, o MEC não havia publicado a portaria com o novo valor do piso, que serve de referência mínima para professores com jornada de 40 horas semanais. O piso, estabelecido pela Lei nº 11.738/2008, impacta diretamente planos de carreira, negociações sindicais e a folha de pagamento das redes públicas estaduais e municipais.
Em 2025, o valor nacional foi de R$ 4.867,77, após reajuste de 6,27%. Agora, há expectativa de novo aumento real em 2026, mas o atraso na definição oficial preocupa a categoria e dificulta o fechamento dos orçamentos educacionais.
Nem todos os estados e municípios cumprem a lei
Na prática, o pagamento integral do piso ainda não é realidade em todo o Brasil. Embora a regra tenha força legal, muitos governos locais alegam dificuldades financeiras para aplicar o reajuste. Em várias prefeituras, o valor do piso é calculado apenas sobre o vencimento básico, sem incluir gratificações e adicionais, o que gera interpretações diversas e brechas jurídicas.
Essa diferença de critérios cria desigualdade salarial entre professores de regiões distintas e motiva ações judiciais de sindicatos e profissionais da educação. “Há várias ações judiciais no país onde o piso não está sendo pago”, admitiu o ministro da Educação, Camilo Santana, ao reconhecer o problema.
Governo cria grupo para buscar soluções
Segundo o MEC, um grupo de trabalho foi formado para discutir a sustentabilidade financeira do pagamento do piso nacional. A iniciativa reúne representantes de professores, estados e municípios e pretende avaliar ajustes fiscais e alternativas que garantam o cumprimento da norma sem comprometer as contas públicas locais.
Apesar das medidas, professores permanecem mobilizados e pressionam pela divulgação do índice. A demora na definição do valor acende alerta entre redes que dependem de repasses do Fundeb para manter os salários atualizados.
Impacto direto na qualidade da educação
Especialistas apontam que a valorização salarial está diretamente ligada à qualidade do ensino. A falta de reajuste adequado desestimula a permanência de docentes na profissão e prejudica a atração de novos profissionais, especialmente em redes com menor capacidade orçamentária.
Enquanto o MEC não define o novo valor, a categoria segue mobilizada. O reajuste do Piso Nacional do Magistério 2026 será determinante para consolidar avanços recentes e garantir a continuidade da valorização docente no país.