Jair Bolsonaro
(Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)
Polícia Federal confirmou ao STF que o barulho contínuo na cela em que o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso em Brasília é provocado pelo sistema de climatização do prédio e que, por enquanto, não há alternativa viável para reduzir o som ou transferi-lo de local.
PF responsabiliza sistema de ar-condicionado por barulho na cela
Em ofício enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a PF reconheceu formalmente a existência de ruído no ambiente onde o ex-presidente cumpre pena e atribuiu o problema às áreas técnicas que sustentam o sistema de ar-condicionado do prédio.
Segundo o documento, a Sala de Estado-Maior reservada a Bolsonaro fica colada a essas estruturas de climatização, o que gera um barulho constante dentro da cela, sem interrupção ao longo do dia.
O ofício foi enviado depois que a defesa acionou o STF para denunciar as condições da custódia na superintendência da PF em Brasília, no contexto do processo sobre a chamada “trama golpista”.
Sem outra sala disponível, PF diz não ter para onde transferir Bolsonaro
A Polícia Federal informou também que não há, neste momento, outra instalação que atenda simultaneamente aos requisitos de segurança institucional e às exigências legais específicas para a custódia de um ex-presidente, como a Sala de Estado-Maior.
Significa que, mesmo reconhecendo o incômodo do ruído, o órgão afirma não ter um espaço alternativo que ofereça o mesmo nível de proteção e controle, descartando uma transferência de curto prazo.
Para o leitor comum, o recado é direto: a PF admite o problema, mas sustenta que o sistema de segurança montado para Bolsonaro em Brasília não permite, hoje, uma mudança simples de ambiente.
Isolamento acústico e mudanças estruturais esbarram em custo e risco
No documento encaminhado a Moraes, a PF descarta soluções imediatas, como a instalação emergencial de isolamento acústico ou a troca rápida de equipamentos.
O órgão explica que qualquer intervenção eficaz, seja na forma de reforma física, reposicionamento da sala ou substituição do maquinário, exigiria obras estruturais complexas e a paralisação prolongada do sistema de climatização da superintendência no Distrito Federal.
Na prática, isso afetaria o funcionamento de todo o prédio, impactando servidores, outros custodiados e o atendimento ao público, o que, segundo a PF, torna inviável qualquer solução “relâmpago”.
Como é a cela especial onde Bolsonaro cumpre pena
Bolsonaro está em uma Sala de Estado-Maior, tipo de cela especial prevista em lei para determinadas autoridades, com cerca de 12 m², cama, banheiro privativo com chuveiro, televisão e ar-condicionado.
Apesar da estrutura diferenciada, a defesa afirma que a janela da sala tem vedação inadequada e não impede a propagação do som vindo das áreas técnicas ligadas ao sistema de climatização.
Os advogados destacam ainda que o ambiente é reduzido, com espaço apenas para a cama e a janela, instalada aproximadamente à altura do tórax, o que tornaria inevitável a exposição constante ao ruído dentro da cela.
Defesa fala em risco à saúde e pede intervenção do STF
Para os advogados do ex-presidente, o barulho contínuo, presente 24 horas por dia, teria ultrapassado o limite do mero desconforto e se transformado em uma forma de perturbação permanente, com impacto direto sobre a saúde física e psicológica do custodiado.
A petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes afirma que a manutenção desse cenário inviabiliza o “repouso mínimo necessário” e configura situação incompatível com a integridade do preso, ponto que pode ganhar peso no debate público sobre condições carcerárias e tratamento dado a figuras públicas.
Nesse contexto, a defesa pede que as autoridades responsáveis sejam formalmente cobradas a corrigir as falhas, abrindo uma nova frente de pressão jurídica sobre a PF e o sistema de custódia em Brasília.
Medidas sugeridas pela defesa incluem isolamento e mudança de layout
Entre as alternativas apresentadas pelos advogados estão a adequação do equipamento de ar-condicionado, a instalação de isolamento acústico na Sala de Estado-Maior e até a reorganização do layout interno, para afastar ao máximo Bolsonaro da área de maior emissão de ruído.
A defesa também deixa aberta a possibilidade de qualquer outra solução técnica equivalente que garanta condições mínimas de repouso, desde que preservadas as exigências de segurança e a integridade do ex-presidente.
Essas propostas, porém, esbarram na avaliação da própria PF de que intervenções dessa natureza exigem tempo, planejamento e possivelmente interrupções no funcionamento da estrutura da superintendência.
Por que essa disputa importa agora
O embate em torno do ruído na cela acontece em meio à tensão política e jurídica envolvendo Bolsonaro, o STF e a Polícia Federal, e pode influenciar tanto a narrativa pública quanto futuras decisões judiciais.
Para quem acompanha o caso de perto, a discussão sobre as condições da custódia dialoga diretamente com temas como direitos humanos, seletividade penal e tratamento a ex-mandatários.
Enquanto a defesa tenta caracterizar o cenário como um quadro de violação de direitos básicos, a PF se equilibra entre admitir o problema e argumentar que as limitações técnicas e de segurança impedem soluções rápidas, o que mantém o assunto vivo no noticiário e nas redes sociais.